Em 1981, dois designers japoneses mostraram as suas primeiras coleções em Paris. A imprensa chamou-lhe "Hiroshima chic" — com desdém, como se fosse um problema. As coleções estavam cheias de preto.

Yohji Yamamoto e Rei Kawakubo, fundadora da Comme des Garçons, chegaram com roupa que rejeitava tudo o que a moda parisiense celebrava. Lã preta. Assimetria. Silhuetas oversized. Bordas cruas. Roupa que escondia o corpo em vez de o revelar.

A imprensa de moda parisiense não aprovou. Em 1981, o preto era para o luto. A cor era para a moda.

Yohji e Rei fizeram do preto o assunto.

Porquê o preto?

Ambos os designers voltavam sempre à mesma ideia: quando a cor recua, a forma torna-se visível.

Para eles, a cor compete com a forma. Retire-se, e o que sobra é silhueta, proporção e construção. Um vestido preto não diz "olhem para mim". Diz "olhem para a forma como me movo".

Ao longo dos quarenta anos seguintes, o preto tornou-se o uniforme da classe criativa: arquitetos, designers, curadores, fotógrafos.

O que isto tem a ver com meias

Isto já aconteceu antes. Preto total de propósito, para o trabalho, para uma abertura, para uma reunião em que o objetivo era a sala ouvir, não olhar. O mesmo princípio. Roupa discreta, presença alta.

Mas o princípio tem um custo: repetição. O mesmo conjunto todos os dias. O mesmo conjunto que os colegas. O mesmo conjunto que toda a gente.

O preto é um uniforme. Os uniformes funcionam. Os uniformes também desaparecem dentro de si mesmos.

Três por cento

A questão não é como fugir ao uniforme. É como deixar um traço próprio lá dentro.

A Limono foi construída sobre isso. Não é preciso quebrar o uniforme para ser visível dentro dele. Basta marcá-lo.

Três por cento do corpo: o tornozelo entre a bainha das calças e o sapato. Pequeno o suficiente para preservar a silhueta. Grande o suficiente para quem presta atenção reparar.

Yohji provavelmente não teria aprovado qualquer tipo de marca no tornozelo. Uma impressão fotográfica de um desenho animado não iria longe. Mas uma cor tricotada, escolhida com o mesmo cuidado que o resto do conjunto, é outra conversa.


O argumento a partir de dentro do uniforme

Limono não volta a pôr cor num guarda-roupa preto. Põe cor nos termos do próprio guarda-roupa. Calibrada contra a paleta que já existe.

Nem toda a gente quer que as meias contem uma história. Às vezes uma frase chega.

É isso que fazemos. Frases para tornozelos. A nota de rodapé do uniforme.

Leitura adicional

Para uma história mais profunda do preto, a cor de monges, juízes, intelectuais, governantes e designers de moda, veja-se Black: The History of a Color de Michel Pastoureau.

Ou salte a leitura e abra o armário. Repare no que está lá. Repare no que não está.